HISTÓRICO E JUSTIFICATIVA DO PROJETO DE INCLUSÃO DIGITAL DE IDOSOS HOSPITALIZADOS NA SANTA CASA DE MISERICÓRIDA DE PORTO ALEGRE/RS.
A partir de realização de pesquisa que produziu uma tese de doutorado no Hospital da Criança Santo Antonio sobre “ Ambientes Digitais Virtuais e Saúde: Alternativa para uma Melhor Qualidade de Vida de Crianças Hospitalizadas” e da implantação do Projeto “ Estação Digital: Uma Janela para o Mundo,” concluiu-se que conforme VERGARA (1999) Assim, como o corpo deve ser exercitado para prolongar a vida e a saúde, há alguns anos descobriu-se que a atividade mental pode modificar o comportamento acomodado que alguns idosos adotam ao envelhecer.”
O contexto do ambiente hospitalar com freqüência se constitui um espaço traumático e hostil para o idoso, podendo afetar o seu processo terapêutico, daí a necessidade de reduzir o impacto da hospitalização através de uma relação próxima e cúmplice com o idoso. Sabendo ouvir-lhe. Sabendo falar-lhe e olhar para saber atuar, numa interação que permita uma maior interatividade oportunizando sempre que possível um atendimento global que possibilite uma melhor qualidade de vida, mantendo-o em contato com o mundo de vivências.
Entende-se que o idoso hospitalizado deve receber um atendimento que lhe proície bem estar, numa abordagem de assistência humanizada.
Nesse viés o Projeto “Ambientes Virtuais na Saúde: Inclusão Digital de idosos Hospitalizados “ pretende a oferta de situações de encorajamento que poderão ser desencadeadas pelas TICs, o que espera-se favorecer as dimensões sócio afetivas positivas, oportunizando lhe melhor qualidade de vida;
Assim, a presente iniciativa tem como objetivo a experimentação de um Projeto piloto que venha a contemplar uma considerável parcela de sujeitos da terceira idade que sofrem com o desalento da solidão no contexto hospitalar.
O Projeto vem delineando uma nova maneira de integrar parceiros e desenvolver modelos inovadores no atendimento a esses sujeitos, tendo como objetivo contribuir para com bater a info-exclusão e a solidão, visando potencializar a integração desse grupo nas novas redes de conhecimento.
Nessa direção o projeto em pauta representa uma i niciativa de parceria e cooperação entre o Complexo Hospitalar da Santa Casa de Misericódia, Porto Alegre/RS a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade de Brasília e PROCEMPA/RS e as demais instituições que vierem a colaborar tais como: O Ministério Público, o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação e Cultura, entre outros...
Com o Projeto em desenvolvimento abrem-se caminhos para a formação de recursos humanos que articulem os avançoes científicos e tecnológicos às necesssidades de oferecer a esses pacientes uma melhor qualidade de vida, mesm o que seja por curto espaço de tempo.
A capacitação do pessoal de saúde é imprescindível para o atendimento adequado ao idoso. Assim, torna-se necessário voltar a atenção na academia para a formação e capacitação de recursos humanos com vistas ao atendimento do fenômeno do envelhecimento (Gerontologia) e processo saúde-doença dos idosos (Geriatria).
Envelhecer, por muito tempo, significou viver excluído da sociedade e ser um peso para a família. Todavia, nos últimos anos, com o avanço da ciência e da medicina, esta etapa da vida passou a desenhar-se de maneira diferente.
A qualidade da vida passou a ser outra. Além do que, alguns mitos referentes ao envelhecimento vêm sendo modificados. O entendimento dos mais jovens a respeito dos velhos,vem paulatinamente sofrendo reformulações. Nessa direção, destaca Kachar (2001),
“O perfil do idoso do século XXI mudou. Ele deixou de ser uma pessoa que vive de lembranças do passado, recolhida em seu aposento, para uma pessoa ativa, capaz de produzir, participando em atividades nos segmentos sociais e políticos”.
Ainda na mesma linha, se posiciona Vergara, (1999):
Assim, como o corpo deve ser exercitado para prolongar a vida e a saúde, há alguns anos descobriu-se que a atividade mental pode modificar o comportamento acomodado que alguns idosos adotam ao envelhecer.
Em razão da longevidade e da visibilidade alcançada pelos idosos nos últimos anos, e graças aos esforços de organização profissionais sérias na área de atuação, as pesquisas, os estudos teóricos e empíricos do envelhecimento começaram a florescer no Brasil.
Nesse viés, atualmente existem diversas associações de profissionais que atendem à população idosa. Ainda na mesma direção, é grande e variada, a gama de cursos de pós-graduação em Gerontologia, trazendo um avanço maior na área de pesquisa, entretanto ainda são incipientes os resultados disponibilizados.
A Gerontologia, por ser uma área recente e de rápido crescimento, ao que se observa, tem apresentado uma necessidade crescente de direcionar sua produção acadêmica. Por outro lado, o caráter multidisciplinar contido na especialidade, tem dificultado sobremaneira, aglutinar parte relevante do conhecimento construído.
Daí porque, o entendimento de uma corrente científica apontando a falta de entrosamento e articulação entre os diferentes programas e projetos já desenvolvidos, tem dificultado pontuar, com maior clareza, as reais necessidades do melhor de atendimento ao idoso no contexto atual.
Assim, verifica-se que, aos poucos, a pesquisa sobre velhice vai abrangendo várias áreas do conhecimento e diferentes campos de interesse. Nota-se também que esse tema passa a abranger muitos domínios disciplinares, revelando uma diversidade de faces da velhice.
O número de estudos que têm incidido sobre o êxito do envelhecimento cognitivo ainda é bastante escassa. No entanto, existem algumas evidências sugerindo efeitos positivo das intervenções que visam promoção no funcionamento cognitivo em adultos mais velhos (por exemplo, Ball et al., 2002; Schaie, Willis, Hertzog, & Schulenberg, 1987; Valentijn et al., 2005). O que é ainda em grande parte inexplorada, porém, é a possibilidade de intervenções visando não apenas na promoção do nível funcional cognitivo em idosos, mas também centrando-se em um segundo domínio do envelhecimento bem sucedido: participação ativa com a vida. (SLEGERS, 2006, p. 11)
O estudo em questão visa promover qualidade de vida na terceira idade, tem em vista o idoso em situação de internação hospitalar, permitindo-o, por meio das TICs, participação ativa na vida.
Os conhecimentos disponibilizados em ambientes informatizados na web para as pessoas idosas poderiam auxiliá-las no combate a exclusão sofrida nessa fase, possibilitando-lhes, ao mesmo tempo, vivenciar o agora, sem desprezar as experiências e os sentimentos já vivenciados. (PASQUALOTTI, BARONI, DOLL, 2007, p.2)
As tecnologias da Informação e Comunicação, através dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) vem constituindo-se uma poderosa alternativa para a interação/comunicação e desenvolvimento de vários segmentos de nossa sociedade, favorecendo a inclusão social de pessoas colocadas na marginalidade e excluídas da sociedade.
Além disso, a Inclusão Digital do idoso, perpassada pela utilização de ferramentas com poder de promoção da socialização e da interação (como é o caso dos AVAs) podem contribuir para a superação da redução dos espaços de interação e comunicação característica desta etapa da vida e potencializada no caso dos idosos hospitalizados. De acordo com Pasqualloti e Both (2008, p.27):
(...) o idoso tem seus espaços de comunicação e interação diminuídos em razão de uma série de questões individuais e pessoais, esntre as quais se destacam o sofrimento físico ou psicológico causado por uma moléstia, a crença, convicção ou opinião assumida com fé em relação aos valores morais e a personalidade manifestada no estilo de vida adotado pelo sujeito.
Hoje, a terceira idade busca cada vez mais acesso aos recursos tecnológicos, principalmente a internet, como passatempo e como forma de manter contato com amigos e parentes. Nesse viés, em recente pesquisa realizada pela companhia de seguros britânica AXA, foi identificado que a Internet está em primeiro lugar nas preferências dos aposentados, inclusive à frente de outras atividades tais como, jardinagens e viagens.
O impacto vivenciado pelo idoso e seus familiares no contexto hospitalar, geram uma sobrecarga de medo, tensão, preocupações e incertezas, passando ambos a vivenciar um período de ansiedade constante que podem ocasionar dificuldades na terapêutica em curso.
Se o atendimento ao idoso hospitalizado for realizado de maneira global as necessidades médicas, de enfermagem e psicológicas, dentre outras abordagens terapêuticas necessárias no ambiente hospitalar, poderão ter as dificuldades e adversidades minimizadas.
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