Marlene da Silva.Soares
Universidade de Brasília/DFBrasil
mar.soares@terra.com.br
Lucila Maria Costi Santarosa
NIEE/UFRGSBrasil
lucila.santarosa@ufrgs.br
RESUMO.
Com o presente artigo, procuramos ressaltar a importância da inclusão digital no contexto hospitalar pediátrico, conduzindo o paciente à inclusão social. Nesse viés, enfocamos vários aspectos legais vigentes e a necessidade das Universidades participarem mais ativamente desse segmento. Daí, deixarmos claro que o atendimento à criança hospitalizada está previsto pela Secretaria de Educação Especial (SEESP/MEC) e outros órgãos oficiais nacionais e internacionais. Nessa direção, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estão em parceria, realizando trabalho junto ao Hospital da Criança Santo Antonio, no Complexo Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre/RS, Brasil.
PALAVRAS CHAVE: inclusão digital e social, crianças hospitalizadas, aspectos legais.
ABSTRACT
The present article aims at highlighting the importance of digital inclusion in the pediatric context, ultimately leading the pacient to social inclusion. Within this approach, various legal aspects are analyzed as well as the need for Universities to more actively participate in this segment. We point out that the assistance to hospitalized children is encouraged by the Special Education Secretariat (SEESP/MEC) and other national and international official organs. The University of Brasília and the Federal University of Rio Grande do Sul established a working partnership, developing their activities at the Santo Antonio Child Hospital, in the Hospital Complex of the Santa Casa de Misericórdia in Porto Alegre/RS.
kEY-wORDS
social and digital inclusion, hospitalized children, legal aspects.
INTRODUÇÃO
O combate à exclusão digital só será possível em caráter de política pública. A desigualdade tecnológica, a falta de acesso à informação e a pouca infra-estrutura disponível para o desenvolvimento solidário de conhecimento, são fatores que colaboram para a marginalidade de considerável parcela da sociedade.
Promover a inclusão digital como alavanca para o desenvolvimento social auto-sustentável, é promoção de cidadania. Este é o principal objetivo estabelecido pelo Programa Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão, que consiste na inclusão digital das camadas C, D e
E, da sociedade brasileira. Neste já estão sendo disponibilizadas as ferramentas necessárias para o acesso das classes menos favorecidas à Internet.
Promover a utilização massiva dos recursos das Tecnologias da Informação e Comunicação ( TICs ), como mecanismo de desenvolvimento social é redesenhar o futuro do país, apropriando-se destas ferramentas como potencializadoras de habilidades para favorecer a inclusão digital e social.
A sociedade está em débito com as crianças e adolescentes hospitalizados. São seus direitos, saúde e educação, ou serão tais direitos apanágios exclusivos de crianças e adolescentes sadios ?
É uma questão de respeito ao ser humano, à sua dignidade, a sua liberdade, e aos seus inalienáveis direitos.
DESENVOLVIMENTO
O Projeto ora em desenvolvimento,representa uma parceria da Universidade de Brasília, Faculdade de Educação , Núcleo de Pesquisa em Informática na Educação (NIEE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Prefeitura da Capital .
Pretende-se a construção de um ambiente construcionista, contextualizado e significativo para as crianças hospitalizadas no Hospital da Criança Santo Antonio do Complexo Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia em Porto Alegre/RS. Brasil.
Já se encontram disponibilizados para esse fim 17 computadores doados pela Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação ( PROCEMPA) que vem realizando treinamento com voluntários na área da informática, para atuarem com facilitadores.
Esse Projeto tem como objetivo unir saúde com tecnologia para garantir uma assistência mais qualificada ao cidadão. Os pacientes internos, poderão contatar com o mundo, humanizando o uso da informática.
O Projeto “Estação Digital, uma janela para o mundo’ tem no Hospital a coordenação da gerente administrattiva e chefe do serviço de enfermagem Sra.Swetlana Cuirkun, que disponibiliza os recursos humanos e técnicos para o desencadear do atendimento no setor de pediatria.
Apropriando-se das Tecnologias de Informação e Comunicação como ferramentas potencializadoras de habilidades para favorecer a inclusão digital e social, passamos a utilizar o computador não como uma máquina de ensinar, transmissora de conteúdos sem significado para os sujeitos, mas como um instrumento capaz de possibilitar avanços no processo de ensino-aprendizagem, conduzindo as crianças hospitalizadas a um crescimento não só no aspecto cognitivo mas também socialmente, politicamente, afetivamente e, principalmente, de forma ética, utilizando o computador como elemento básico a essa destinação.
Vivemos num momento de transformações no qual as TICs permeiam todos os ramos da atividade humana, conduzindo a informação à categoria de bem de consumo. Nesse contexto, o elemento virtual representa um novo conceito de construção do meio ambiente, onde ocorrem as trocas de saberes. Esse meio não é concreto mas é real, construído a partir de elementos digitais. (OLIVEIRA, C.C; COSTA MOREIRA, 2001.)
Assim entendendo, se faz necessário uma compreensão mais aprofundada sobre os aspectos sociais e culturais dessa perspectiva, a qual elimina as distâncias espaciais e temporais. Para tanto, o processo de aprendizagem computacional oportuniza um direcionamento de caráter social. Não há mais distâncias geográficas. Espaço e tempo passam a ter outra dimensão.
As ferramentas digitais permitem a busca de informações atualizadas, o acesso a pesquisa e aos conhecimentos produzidos por cientistas de qualquer parte do planeta, num espaço de tempo cada vez mais reduzido, permitindo ainda, estabelecer uma conversação / comunicação sincrônica (chat) com pessoas dispersas geograficamente
De acordo com SANTAROSA (2002) a utilização desse recurso concorre para a democratização do acesso ao conhecimento e a possibilidade de interação entre indivíduos, independentemente de onde estiverem. Com uma rede integrada de computadores e os meios de comunicação, é possível transmissões polivalentes, utilizando textos, sons e imagens.
Modifica-se o modelo cultural a partir do acesso síncrono e assíncrono de informações; acesso de base de dados, bibliotecas virtuais, boletins, noticias, correio eletrônico, conferências, listas de discussão, trabalhos cooperativos, entre outras tantas possibilidades. O resultado é a ampliação dos horizontes de fluxo de informação em dimensões sequer imagináveis.
SANTAROSA, (2003) enfatiza que os ambientes digitais / virtuais estão concretizando a transformação do mundo numa aldeia global e mudando o próprio conceito de sociedade. A mesma autora afirma que caminhamos para novos conceitos e valores em conotações que aparecem como paises sem fronteiras, democratização da informação, socialização do conhecimento, pela comunicação e acesso a informação que vem se processando. Conclama ainda, que o uso do computador, devidamente orientado oportuniza o desenvolvimento e a organização do pensamento, trazendo vantagens à criança no seu processo de construção do conhecimento.
O acesso às TICs é sem dúvidas, um fator importante a ser considerado, para viabilizar a inclusão digital e social de crianças hospitalizadas, com necessidades educacionais especiais mesmo que temporárias, posto que, o ato de ensinar e aprender, ganha novo suporte com o uso de diferentes tipos de softwares educacionais, de pesquisas na internet e outras formas de trabalho pedagógico com o computador, como uma nova dinâmica no processo de construção do conhecimento.
As atividades lúdicas, os programas de apoio pedagógico, as interações sociais e a introdução das TICs, poderão contribuir de maneira diferenciada para oportunizar durante o período de hospitalização melhor qualidade de vida aos pacientes e sua inclusão em todos os segmentos do mundo atual.
É um direito inalienável para todos usufruírem e a criança hospitalizada não deverá ficar excluída. É uma questão de cidadania a disponibilização desses recursos durante o período que a criança permanecer internada, não permitindo que a mesma vivencie a exclusão digital e social, mesmo que temporária.
Entendemos que a criança hospitalizada fragmenta seu processo de aprendizagem e desenvolvimento, visto ficar desconectada da escola e todos os seus meios de interação, de todos os segmentos, do contexto familiar, amigos, brinquedos, hábitos diários, etc. Enfim, sua rotina fica alterada e esse contexto de exclusão temporária poderá deixar seqüelas significativas, podendo apresentar rupturas ou perdas definitivas nas habilidades da vida diária, entregando-se a um viver passivo e dependente.
Dispor de um atendimento integral à criança hospitalizada mesmo que por curto espaço de tempo, pode ter repercussões importantíssimas, uma vez que ela pode atualizar suas necessidades, desvinculando-se, mesmo que momentaneamente, das restrições que o tratamento hospitalar impõem, adquirindo conceitos importantes para sua vida escolar e pessoal. A educação está presente em todos os momentos de nossas vidas, até mesmo naqueles mais tensos e difíceis. ( CECCIM. et al..1997)
Os espaços e tempos da aprendizagem para crianças ou adolescentes hospitalizados, seguem regularidades e intensidades diferentes da escola comum, atendendo além das demandas intelectuais, as necessidades de pertencimento a uma comunidade afetiva e de inclusão sócio interativa.. (CECCIM; FONSECA, 1999.).
Ainda CECCIM, aponta que se a complexidade da saúde ou da doença não for levada em consideração, teremos uma { . ..} prática hospitalar que se mostra tecnificada e impessoal, orientada pela doença e pelos quadros clínicos, não se mostrando como uma prática humanizada e personalizada, orientada pela saúde e pela produção de vida. Afirma ainda o mesmo autor, “que saude e doença não são conceitos definitivos, nem tão pouco conceitos em oposição, mas ambos dizem respeito, à sobrevivência , a qualidade de vida ou a própria produção de vida.” ( CECCIM, 2001.)
O comprometimento da saúde não inviabiliza o desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito. Para a crianza hospitalizada isso não é diferente. A pesar das limitações que a doença temporária ou de longa duração possa causar, a crianza continua valendo-se de suas potencialidades que contribuem tanto para seu crescimento físico quanto intelectual e social.
Quando mais oportunidades a crianza tiver para fazer e/ou experimentar coisas, quanto mais chancee ela terá de plenamente desenvolver as suas potencialidades. Novas experiencias são oportunidades para o desenvolvimento de novas competências.
FONSECA (2003. p.49) afirma “(. . .) No ambiente hospitalar as crianzas doentes constituem um grupo com diversidades e em meio a essas circunstâncias há interações, e os processos de desenvolvimento e aprendizagem se darão não de maneira melhor ou pior, mas terão um curso próprio personalizado.
Considerando que os recursos das TICs são parceiros fundamentais para a melhoria da qualidade do processo pedagógico, de ensino e aprendizagem, a UNESCO enfatiza como um modo sistemático de coceber, aplicar e avaliar os processos de aprendizagem sempre levando em consideração os recursos técnicos e humanos.
Atualmente as Universidades públicas e privadas, as organizações não governamentais (ONGs) estão trabalhando em um desafio permanente para inclusão desse novo potencial de dispositivos que poderão dar uma nova roupagem à Educação.
Quando as crianças aprendem a usar o computador, elas não estão apenas aprendendo a técnica , e sim mudando suas próprias relações com o mundo ao seu redor. A maneira como as informações são acessadas e apresentadas, os modos pelos quais podem ser manipuladas, todos alteram as percepções que a criança tem, a respeito do saber e do fazer. ( ARMSTRONG: CASEMENT, 2001, p. 22.)
Pesquisas nessa direção, vem demonstrando que: “ a interação de crianças e jovens com as TICs. quando a proposta de atividades é motivadora para elas e está desvinculada das atividades escolares mal sucedidas, favorecem o aumento da auto estima, o interesse de aprender coisas novas, o bom humor, a colaboração entre os pares, entre outros aspectos sócio afetivos positivos.
SOARES, S. M. (2007) constatou em pesquisa realizada com crianças da oncologia, utilizando as TICs. que mudanças no estado sócio afetivo positivo determinam um quadro mais otimista na seqüência do tratamento, A medida que se apropriam dessas ferramentas a auto estima melhora, a iniciativa, o bom humor a alegria são mais constantes, e em situações novas interagem com maior satisfação, rapidez desembaraço e autonomia. Os aspectos sócio-afetivos positivos, aumentam gradativamente.
Conforme CECCIM , (l997) as crianças estão doentes, mas em tudo continuam crescendo. Essa afirmativa, deve nos conduzir a reflexões mais consistentes, no sentido de oportunizar a essas crianças um melhor e mais completo atendimento abrangendo sua integralidade.
Os direitos apontados nas legislações não estão sendo cumpridos na íntegra, e os responsáveis pela execução e acompanhamento desse trabalho aguardam que medidas mais efetivas aconteçam a médio prazo, entretanto a criança doente tem pressa; Daí, termos de buscar soluções ou alternativas para modificar esse quadro o mais rápido possível.
O Ministério da Saúde e Ministério da Educação propagam projetos e programas para minimizar as dificuldades nesse atendimento deficitário. O primeiro aponta o Programa Humaniza SUS que vem se expandindo em todo território Nacional. O segundo, sugere a classe hospitalar, entretanto a execução total desse trabalho ainda se mantém muito incipiente.
Há necessidade de maior envolvimento do poder público e privado para ofertar em todas as instituições hospitalares, um atendimento de integralidade à criança hospitalizada.
As Universidades deverão ter uma atuação mais efetiva e constante, buscando maior aproximação da saúde e educação. Os acadêmicos poderão ter uma vivência nesse trabalho de forma contínua. Medidas mais objetivas, deverão ser consideradas, podendo mesmo com poucos recursos, em muito minimizar as dificuldades apontadas pelas instituições
A Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul iniciam uma parceria com o com o Hospital da Criança Santo Antonio, da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre/RS, através de secção de Colaboração Técnica de uma professora que realizou doutoramento na UFRGS, sob a orientação da Dra. Lucila Costi Santarosa, com a pesquisa intitulada “ Ambientes Digitais Virtuais e Saúde: alternativa para uma melhor qualidade de vida de crianças hospitalizadas.
Os resultados dessa pesquisa apresentaram-se relevantes o que motivou a Instituição a dar seqüência ao trabalho solicitando às universidades que colaborassem assessorando a implantação de Projeto similar.
Em 2002, o MEC, organizou uma equipe técnico-científica constituída de professores representantes do Sistema de Educação e do Sistema de Saúde, provenientes de Faculdades de Educação, Secretarias Municipais de Educação e Escolas de Saúde Pública com a finalidade de produzirem um documento com orientações para o atendimento pedagógico às crianças hospitalizadas. Esse documento estruturou ações políticas do sistema de atendimento educacional em ambientes hospitalares e domiciliares de forma a assegurar a atenção às necessidades especiais, promovendo o desenvolvimento e contribuindo para a construção do conhecimento dessas crianças, sendo publicado o “Manual sobre Classes Hospitalares e Atendimento Domiciliar
O que constata-se atualmente é que as Universidades, os profissionais da saúde e da educação ainda permanecem com reduzidas informações sobre a execução dessa tarefa.
De acordo com a Constituição Federal Brasileira, o direito à escolarização traduzido prioritariamente pelo acesso à escola de educação básica é conforme a lei, obrigatório e o não oferecimento desse ensino pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.
O artigo 214 da Constituição Federal afirma que as ações do Poder Público devem conduzir à universalização do atendimento escolar. A hospitalização de uma criança pode impedir a freqüência escolar ainda que temporariamente, entretanto o atendimento pedagógico nesse período deve ser ofertado no ambiente hospitalar da melhor maneira, para atender as necessidades individuais.
É notório que a hospitalização determina restrições às relações de convivência, às oportunidades sócio interativas, relações com colegas, relações de aprendizagem mediadas pelo professor e a exploração intelectual dos ambientes de vida social.
O direito à saúde, segundo a Constituição Federal ( art.196 ) deve ser garantido mediante políticas econômicas e sociais que visem ao acesso universal e igualitário a ações e serviços, tanto para sua promoção quanto para sua proteção e
recuperação. Esta atenção diz respeito ao processo de inclusão e contribui para com a humanização da assistência hospitalar. A integralidade é uma das diretrizes de organização do Sistema Único de Saúde, (SUS), definido pela Lei (C.F,art 197 e 198).
Entende-se que estas crianças devem ser vistas de modo integral e ter suas necessidades e interesses atendidos objetivando diminuir as conseqüências do afastamento escolar e social. Há preocupações de diferentes áreas buscando de forma interdisciplinar oferecer melhor qualidade de vida, traduzindo uma nova abordagem na assistência à criança hospitalizada.
O acesso às TICs é um fator importante a ser considerado, para viabilizar a inclusão digital e social às crianças hospitalizadas, pois o ato de emsinar e aprender ganha novo suporte com o uso de diferentes tipos de softwares educacionais, de pesquisas na internet e de outras formas de trabalho pedagógico com o computador, com uma nova dinâmica no processo de construção do conhecimento
O tratamento de saúde no contexto hospitalar, não envolve apenas os aspectos biológicos da tradicional assistência médica à enfermidade. A experiência de adoecimento e hospitalização implicam mudar rotinas, separar-se de familiares, amigos e objetos significativos; sujeitar-se a procedimentos invasivos e dolorosos e ainda, sofrer a solidão e o medo da morte, uma realidade que ronda constantemente o cotidiano vivenciado.
A hospitalização de crianças pode provocar problemas importantes e desencadear reações imediatas, gritos, choros, recusa de ficar no hospital ou reações que surgem após a hospitalização como atitude de regressão, problemas alimentares entre outros.
A Declaração dos Direitos da Criança, da Organização Mundial de Saúde, é clara quando assevera que: “ (...) a criança gozará de proteção especial e ser- lhe-ão proporcionadas oportunidades e facilidades por lei e por outros meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, moral espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e de dignidade.
Considerando que por direito, cabem à criança todas as forças facilitadoras do seu bem estar, o livre acesso à saúde e a educação focalizados neste trabalho, entendemos que são direitos inalienáveis que requerem a máxima proteção.
Atualmente com a inclusão da Pediatria Social que é o ramo da Medicina que visa ao estudo e a assistência global da criança, ainda assim tais direitos essenciais contraditoriamente a legislação vigente, se encontram em muitas instituições hospitalares em pleno descaso, acarretando às criança prejuízos em seu desenvolvimento.
MARQUES (1986,p.4) afirma (...) A Pediatria Social deve objetivar o mais completo bem estar social de todas as crianças, integradas numa sociedade justa e feliz.
A finalidade da ação educativa continuada em âmbito hospitalar é própria de um saber e de uma profissão específica, numa ação pedagógica que não se opõe nem se confunde com a ação e finalidade que são co-naturais à medicina e ao ato médico.
Para tanto, é indispensável o mais alto grau de consciência social e política, no permanente empenho, de empregar no seu proveito, tudo o que de bom a inteligência humana for capaz , numa ação constante, onde as autoridades responsáveis não deverão se omitir, dispensando todo o cuidado necessário ao atendimento das necessidades da criança hospitalizada.
Não basta entendermos os aspectos legais apontados se não colocarmos em prática um atendimento que abarque a criança na sua integralidade, sua assistência deve acontecer de forma global.
CONCLUSÕES
Acreditamos possuir elementos para sinalizar a necessidade de colocar as TICs ao alcance das crianças hospitalizadas. É questão de cidadania disponibilizar recursos computacionais a essas crianças durante o período que permanecerem internadas, não permitindo que vivenciem a exclusão digital e social mesmo que temporárias
É importante encontrar maneiras de acompanhar a criança hospitalizada de forma prazerosa e divertida, o computador poderá ser uma ferramenta útil.
Criar estratégias para que a criança hospitalizada se aproprie das TICs e do que ela poderá fazer retratando o seu uso funcional.
Outro aspecto importante diz respeito a graduação das dificuldades e ao tempo de cada criança, pois algumas precisam de um termpo maior que outras para adquirir certas habilidades e desenvolver novas competências.
A criança hospitalizada deve receber um atendimento que favoreça o seu desenvolvimento, numa abordagem de assistência humanizada. Neste sentido as TICs poderão romper a barreira do isolamento e minimizar os sentimentos de solidão que os períodos de permanência no hospital poderão desencadear.
Há necessidade de maior fluxo de trabalhos e pesquisas que focalizem resultados, para a construção de uma massa cientifica de maior consistência, pois disponibilizamos ainda de referencial teórico muito escasso.
As reflexões que os resultados suscitam e os indicadores pontuados sugerem a necessidade de maior aprofundamento na busca de resultados de pesquisas que evidenciem como as TICs poderão oportunizar às crianças hospitalizadas melhor qualidade de vida.
Acreditamos, que a incorporação das Tics no setor pediátrico poderá proporcionar benefícios relevantes, principalmente nos aspectos sócio afetivos.
Entendemos que há necessidade de profissionais da educação para atuar como facilitadores de maneira efetiva, conduzindo adequadamente as interações e incorporando as Tics no contexto hospitalar, com objetivo maior de oportunizar melhor qualidade de vida nos períodos de internação.
Consideramos ser esta uma tarefa urgente e necessária.
A criança doente tem pressa...
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